– O PROBLEMA DOS ALTOS-CHÃOS DA MADEIRA:
floresta ou pastorícia?,
Colecção Cadernos Madeirenses nº 2,
Funchal: Direcção Regional dos Assuntos Culturais, 1996.
41 p.; il.; 23 cm - Brochado.
Excelente exemplar.
1ª edição
€10.00
Iva e portes incluídos.
Assuntos:
Floresta madeirense -- Conservação da natureza -- Arquipélago da Madeira (Portugal)
Pastorícia -- Impacto ambiental -- Arquipélago da Madeira (Portugal)
Património natural -- Balanço hídrico -- Arquipélago da Madeira (Portugal)
"Cecílio Gomes da Silva (1923-2005), natural do Funchal, engenheiro silvicultor de profissão, detinha na imprensa da Madeira colunas habituais onde dissertava sobre assuntos técnico-científicos. São exemplo disso a colaboração dispersa na revista Islenha e múltiplas intervenções no Jornal da Madeira, vindo a revelar-se profético o artigo “Eu tive um sonho”, publicado em 1985 no Diário de Notícias do Funchal, sobre a iminência de enxurradas desastrosas nesta cidade. No mesmo âmbito, relevo para «O Problema dos Altos-Chãos da Madeira: floresta ou pastorícia?», opúsculo editado em 1996 pela Região Autónoma da Madeira (Cadernos Madeirenses, n.º 2).
Mas o autor escreveu com igual regularidade sobre questões sociais e culturais, avultando aí “um importante trabalho, do ponto de vista etnográfico”, como então se afirmou, na forma de uma evocação de “Figuras, usos e costumes madeirenses” (Jornal da Madeira e respectiva revista Magazine), que a Textiverso acaba de editar em livro, sob o título «Era assim no Funchal». Deixou ainda um texto inédito intitulado “Viveiros”, que a Textiverso editou também." - https://textiverso.com/authors/28-cecilio-gomes-da-silva
"Em alguns artigos publicados no Jornal da Madeira- Revista magazine meu pai explica as causas das enxurradas. Também nesses artigos se pode constatar que ele tinha a consciência de que a realização da profecia já tinha acontecido em 1993. Meu pai escrevia com uma principal motivação: que os seus conhecimentos técnicos pudessem ajudar a mudar comportamentos e influenciar (pela via do esclarecimento técnico/científico) as decisões de quem tinha poder de as concretizar. Escreveu também sobre fogos e suas causas.
Este pequeno livro, publicado pela R. A. Madeira, Secretaria Regional do Turismo e Cultura, resultou de conversas que manteve com seu irmão mais velho, Rui Gomes da Silva (médico) e pretendia ser apenas um ensaio destinado a um leque variado de público. São 39 páginas de texto onde explica como a floresta é a principal causa da precipitação da humidade dos ventos de nordeste em forma de chuva (ou seja sem floresta , a Madeira poderia ter um aspecto semelhante a Cabo Verde que de verde tem pouco, apesar dos esforços meritórios feitos para reflorestar). Em 1995 a preocupação era a seca.
Neste opúsculo, o autor defende a floresta nos “altos-chãos” em vez de uma pastorícia desregrada que tem degradado esses solos de vegetação rala e rasteira e contribuído para agravar as enxurradas. É mencionado o Plano do Parque Natural da Madeira mas muito ao de leve, comentando : “No plano, a pastorícia foi demasiadamente contemplada […]”.
A floresta da Madeira, para além de captar a humidade transformando-a em chuva, tem uma capacidade de contenção e reserva por infiltração muito maior do que as áreas de vegetação não arbustiva. A infiltração faz-se de forma lenta, entre outros factores, porque o volume das copas modera os ímpetos das chuvas. A floresta faz chover quando não “cai água do céu” e abafa os efeitos devastadores quando cai demais. No fim do processo da fábrica processadora de dióxido de carbono e produtora de oxigénio formam-se nascentes . A floresta madeirense transformou a humidade dos ventos em água límpida riquíssima em nutrientes fundamentais para a agricultura nas zonas de cotas inferiores.
Este resumo é o resultado de uma minha re-leitura rápida desse livro, nestes dias em que, nos media e na blogosfera, a desgraça de várias famílias em directo se mistura com a polémica em torno de responsabilidades. Meu pai entraria na polémica se fosse vivo? Não o sei dizer. Escreveria de certeza, publicado ou não, escreveria. E tentaria filtrar a emoção que seria de certo o motor do ímpeto a escrever nesta altura.
P.S: Meu pai faleceu em 2005. Para além do Jornal da Madeira e DN -Funchal colaborou com a revista Islenha , de edição e propriedade da Direcção Regional dos Assuntos Culturais na qual foram publicados vários textos dos quais destaco os artigos de fundo a respeito da Laurisilva madeirense, tendo o último saído em 2004, no nº 34 de Janeiro-Junho. Esses artigos estarão disponíveis nas entidades referidas e em bibliotecas. Nenhum dos filhos estudou Silvicultura ou Engenharia Florestal como agora lhe chamam. Por isso são os seus escritos a sua única defesa quanto a ideias que defendeu não apenas com fundamento na sua formação técnica e científica mas também com base na sua vasta experiência enquanto engenheiro silvicultor (de terreno , que não de gabinete)." - https://maisk3d.wordpress.com/2010/02/27/cecilio-gomes-da-silva-floresta-ou-pastoricia/
