Smith, Ian R. (pref.);
Pereira, Susana Serras (trad.)
- DIALECTO INDO-PORTUGUÊS DE CEILÃO,
Colecção Cadernos Ásia,
Lisboa: Comissão Nacional para as Comemorações
dos Descobrimentos Portugueses, 1998.
301 p. ; 24 cm - Brochado.
Muito bom exemplar.
1ª edição
€16.00
Iva e portes incluídos.
ASSUNTOS: Línguas crioulas de base lexical portuguesa -- Sri Lanka
Sebastião Rodolfo Dalgado (1855, Assagão – 1922, Lisboa), monsenhor (1884) sacerdote, missionário, orientalista, linguista.
Oriundo de uma distinta família brahmin que deteve, durante várias gerações, um posto de distinção e privilégio na economia da aldeia onde nasceu. O significativo cognome da sua família, “Desai”, foi alterado para o português Dalgado, dado que desde o séc. XVI que Padroado português da Índia ocidental quis eliminar da região os vestígios das antigas linhagens e tradições.
Demonstrando desde cedo uma vocação sacerdotal, ingressou no Colégio de Estudos Eclesiásticos de Rachol (em Salsete, Goa), onde aprendeu Inglês, Francês e Latim, tendo sido ordenado padre em 1881. Pouco depois partiu para Roma, onde adquiriu o grau de doutor em Direito Canónico e em Direito Romano na Universidade de Santo Apolinário, tendo completado ainda a licenciatura em Teologia, durante a qual aprendeu Grego e Hebraico. O seu brilhantismo e distinção académicos fizeram com que, em 11 de Outubro de 1884 (com 29 anos), o Papa Leão XIII o nomeasse seu Capelão Honorário e lhe outorgasse o título de “Monsenhor”. Como era do interesse do Papa melhorar o estado do clero indiano, foi por sua sugestão que o agora Monsenhor Dalgado deveria regressar à Índia. De Roma foi para Lisboa, onde por ordem governamental, a 19 de Novembro de 1884, foi nomeado missionário da Coroa portuguesa na Índia. Regressou ao subcontinente em Abril de 1885, onde ocupou, sucessivamente e em diversas regiões (Ceilão, Calcutá, etc.), vários cargos eclesiásticos e de docência, que lhe permitiram o contacto com diferentes idiomas e culturas da Índia, e a recolha de material que sustentaria a sua obra futura. A 19 de Março de 1886 foi nomeado Vigário-Geral do Ceilão, tendo escrito vários sermões e homilias no dialecto indo-português desta ilha, publicados no Dialecto Indo-Português de Ceylão (1900). A 2 de Janeiro de 1887 a missão portuguesa no Ceilão foi extinta, por concordata da Santa Sé e do soberano português, motivo pelo qual Dalgado regressou a Goa, detendo já domínio sobre o Cingalês e o Malaio. Entre Maio de 1887 e Abril de 1890, foi Vigário-Geral em Calcutá, Bengala, onde aprendeu Hindustano e Bengali. Entre 1890 e 1893, viveu em Savantvadi, com o seu irmão mais velho, Dr. Gelasio D. Dalgado, que era ali cirurgião, onde estudou Marata e Sânscrito. Foi durante estes anos que terá compreendido as semelhanças entre a sua língua natal, o Concani, com o Sânscrito, o que o levou a investigar cientificamente a estrutura e vocabulário do vernáculo. Desta investigação surgiu em 1893 o seu Diccionario Koṃkaṇî-Portuguez e, dois anos antes da sua morte, a elaboração de uma gramática de Concani que não chegou a terminar e cujo manuscrito foi doado à então Biblioteca Pública de Nova-Goa (actual Biblioteca Central de Pangim). Em 1893 foi nomeado Vigário Forâneo de Honavar, mantendo o cargo até 1895, período durante o qual aprendeu Canarês e Tamil.
O Diccionario Koṃkaṇî-Portuguez despertou a atenção das autoridades lisboetas que lhe encomendaram, em 1895, o Dicionário Português-Konkani, publicado em 1905. A fim de supervisionar a impressão do livro, Dalgado regressou a Lisboa, e no mesmo ano foi eleito Membro da Sociedade de Geografia, tendo no ano seguinte sido nomeado Membro do Instituto de Coimbra. Em 1905, Dalgado foi eleito Prelado Doméstico do Papa. Entretanto, o Governo de Lisboa isentou-o do serviço de missionário no Oriente, tendo-se dedicado, a partir de então, quase exclusivamente ao estudo do Sânscrito e de Filologia, aprendendo entretanto Alemão, Árabe e Persa.
Com o falecimento de Guilherme de Vasconcelos Abreu (1907), vagou a cadeira de Sânscrito do Curso Superior de Letras, para a qual veio a ser nomeado Dalgado (1907), ocupando mais tarde o lugar de professor de Sânscrito na Universidade de Lisboa. Entre 1911 e 1915, um grave problema de saúde obrigou a que lhe fossem amputadas ambas as pernas, mas a Faculdade concedeu-lhe uma prerrogativa particular para que exercesse as funções de docência em sua casa.
Em 1911 foi nomeado Sócio Correspondente da Academia das Ciências de Lisboa. A mesma academia admitiu-o finalmente como Membro a título póstumo. Em 1917 recebeu o grau de Doutor honoris causa em Literatura pela Universidade de Lisboa. Em 1921 foi nomeado Membro Honorário da Royal Asiatic Society de Londres. (...) - Dicionário de Orientalistas de Língua Portuguesa