ECOS DO MESMO GRITO - Costa e Melo




Melo, Manuel da Costa e; 
Albino, Gaspar (il.) 
- ECOS DO MESMO GRITO: poesia, 
Porto: Depos. Divulgação, 1960.
101 p. : il. ; 20 cm - Brochado.
Exemplar nº 38; dedicatória do autor?; livro impresso na Tip. A Lusitânia; miolo limpo.
Bom exemplar.
1ª edição
€21.00
Iva e portes incluídos.


Manuel da Costa e Melo (1913-2002)
Antifascista, advogado e escritor aveirense, muito estimado na região pelas suas qualidades cívicas e morais, foi (desde jovem) um resistente contra a ditadura salazarista, perseguido e vítima da repressão fascista.
1. Nasceu em Mourisca do Vouga, Águeda, a 1 de Setembro de 1913 e faleceu em Aveiro a 21 de Agosto de 2002.
Fez o curso do liceu no Porto e depois inscreveu-se na Universidade de Coimbra, mas tendo perdido o seu primeiro ano universitário, transferiu-se para a Universidade de Lisboa, em cuja Faculdade de Direito se licenciou. Entre 1936 e 1943, viveu nos Açores (Angústias, Horta), onde foi advogado e notário, sempre sob vigilância da PIDE, que o considerava um elemento de ideias «avançadas».
Ainda jovem, ligou-se aos movimentos políticos oposicionistas, foi militante da União Socialista e do MUD e, em 1946, viria a ser forçado a abandonar a função pública, deixando os Açores e fixando residência em Aveiro, onde exerceu advocacia.
Ao longo de toda a sua vida teve uma intensa participação na vida política do país; foi militante da União Socialista e da Acção Socialista Portuguesa. Foi um destacado elemento na campanha eleitoral de Norton de Matos (1949) e integrou a comissão de honra da candidatura de Humberto Delgado às eleições presidenciais de 1958, participando activamente nesta campanha. Em 1961, a sua candidatura na lista da Oposição, pelo círculo de Aveiro, não foi aceite pelo Governo Civil sob o pretexto de ainda ser considerado funcionário público e não ter requerido autorização para se candidatar.
Teve um papel importante na organização dos três congressos da Oposição Democrática (Aveiro), em 1957, 69 e 73.
Foi um dos fundadores do Partido Socialista (1973), vindo a desempenhar diversos cargos nesse partido, tanto a nível regional, como a nível nacional.
Esteve preso pela PIDE, por três vezes, a última das quais entre Dezembro de 1962 e Fevereiro de 1963, em Caxias.


2. Depois do 25 de Abril foi reintegrado na função pública, no quadro do notariado, a que pertencera, e colocado em Lisboa.
Fez parte da comissão administrativa da Câmara Municipal de Aveiro e, entre 23 de Setembro de 1976 e 22 de Fevereiro de 1979, foi governador civil de Aveiro.
Desempenhou diversos cargos na Ordem dos Advogados, colaborou em vários jornais e revistas, tanto locais, como de Lisboa e do Porto e deixou várias obras de carácter político, literário ou memorialístico, como A Estrutura Partidária – Base Indispensável da Luta pela Democracia (tese apresentada ao Congresso de Aveiro, em 1957), Ecos do Mesmo Grito (Aveiro, 1960) e Memórias Cívicas – 1913-1983 (Coimbra, 1988). Recordando o tempo de prisão, publicaria (Aveiro, 1992) o livro de poemas Caxias – Rimas de Antigamente.
Publicou também "Longes da Freita, Pertos da Ria", (1991) e "Gente de Toga e Beca" (1994).
Texto retirado de: Antifascistas da Resistência (Facebook)