Leite, João Pinto da Costa (Lumbrales)
- ECONOMIA DE GUERRA,
Porto: Tavares Martins, 1943.
371 p., [2] f. ; 20 cm - Brochado.
Esta não é uma obra inovadora do ponto de vista teórico, mas a pertinência do tema em estudo, aliada à data de publicação, revelam que Lumbrales reconhecia a necessidade de conhecer as políticas seguidas em outros países. Mais do que apresentar soluções práticas, esta obra encerra o intuito de fornecer uma fundamentada explicação teórica sobre as crises, recorrendo aos contributos de diversos autores estrangeiros. O entendimento que aqui ficou plasmado revela-se interessante para o conhecimento e compreensão da política seguida durante a Segunda Guerra Mundial, embora a conjuntura bélica e a passagem para uma economia de guerra tenha acrescentado outros elementos passíveis de catalisarem reações e novas perceções sobre o fenómeno das crises e sobre os sobressaltos do desenvolvimento económico. (...)
(....) Lumbrales na sua obra Economia de Guerra, dada à estampa, em 1943, onde defende que “a guerra atuava na economia apenas como reflexo dos seus problemas financeiros” (Leite 1943: 67). - excertos retirados de "João Pinto da Costa Leite (Lumbrales) na construção do modelo económico do Estado Novo: pensamento e ação política" da autoria de Leonardo Aboim Pires (2016)
Bom exemplar.
1ª edição
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JOÃO PINTO DA COSTA LEITE nasceu no Porto, a 3 de Fevereiro de 1905. Licenciou-se pela Faculdade de Direito de Coimbra, onde foi discípulo e assistente de Oliveira Salazar. Pouco depois de Salazar ter assumido a pasta das Finanças, chamou Costa Leite para seu subsecretário de Estado, cargo que este desempenhou em 1929 (17 de Julho a 5 de Novembro) e entre 23 de Outubro de 1934 e 13 de Dezembro de 1937, acumulando com o cargo de subsecretário de Estado das Corporações e Previdência Social que assumiu interinamente entre 14 de Março de 1935 e 18 de Janeiro de 1936.
Foi ministro do Comércio e Indústria (13.12.1937-28.8.1940), das Finanças (28.8.1940-2.8.1950), do Interior (23.7.1941-12.8.1941), das Obras Públicas e Comunicações (18.11.1943-6.9.1944) e da Presidência (2.8.1950-7.7.1955), tendo sido substituído por Marcelo Caetano. Entre outros cargos que assumiu durante o Estado Novo, foi também Presidente da Junta Central da Legião Portuguesa e Presidente da Comissão Executiva da União Nacional.
Monárquico e oriundo da ala mais conservadora do Regime neste período do pós-Guerra, homem de confiança e braço direito de Salazar durante os mais de vinte anos que esteve no Governo. Lumbrales teve um papel decisivo na condução das questões ligadas à participação de Portugal no Plano Marshall. Foi, porventura, o principal responsável pela rejeição inicial do auxílio financeiro americano – evocando o problema do ouro alemão existente nos cofres do Banco de Portugal, e esgrimindo argumentos que passavam pela defesa de que Portugal não devia “encarreirar ”entre os famintos do dólar.
Depois de Portugal alterar diametralmente a sua posição em relação ao auxílio Marshall, a gestão dos assuntos relativos à utilização da ajuda americana manteve-se sob a sua alçada. A própria Comissão Técnica de Cooperação Económica Europeia (CTCEE), criada para gerir o aproveitamento do Plano Marshall em Portugal, foi constituída sob a tutela do Ministério das Finanças, tendo transitado para a dependência da Presidência do Conselho de Ministros, quando Lumbrales foi nomeado ministro da Presidência. Posteriormente, foi Presidente da Câmara Corporativa (1955-1957). Depois do 25 de Abril, exilou-se em Madrid, onde veio a falecer a 13 de Dezembro de 1975.
JUVMIG