O ÂNGULO RASO - Fernanda Botelho

Botelho, Fernanda 
- O ÂNGULO RASO
Lisboa: Livraria Bertrand, [1957].
335 p. ; 19 cm - Brochado.
O primeiro romance da autora.
Bom exemplar.
1ª edição
€20.00
Iva e portes incluídos
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Perdidas Marias num mundo de Joões – Uma leitura da obra de Fernanda Botelho

(...) Em Ângulo Raso, Fernanda Botelho trata do conflito campo versus cidade, tantas vezes discutido na literatura portuguesa. Contudo actualiza o tema quando discute, em segunda plana, a questão da mulher diante do casamento. Rosalina, o modelo feminino campesino de O Ângulo Raso, vê o casamento como único propósito da mulher e destaca-se pela submissão, "uma moça decente, discreta" (15), uma mulher incapaz de escrever para o noivo "palavrinhas de amor" (93), uma "Rosalina de louras tranças, a Rosalina que iria perdendo as cores. Os filhos viriam, os filhos de Jonas imberbe viriam, um filho do Senhor Barão, dlim dlão! Bovinamente bela a perspectiva!" (28). Maria Angélica, apesar de independente, de opinião contrária à de Rosalina em relação ao casamento, não consegue esconder o incómodo diante da avó, que a compara com as outras mulheres da família, "mulheres que sempre tinham prezado a honra e que haviam sido tão excelentes mães de família como, antes, moderadas donzelas", e lhe cobra a manutenção da honra "duma família que sempre permanecera dentro dum louvável e honesto equilíbrio" (308-9).
Cláudia, Lúcia Lima e Cristina representam a mulher diante do fracasso do matrimónio. Lúcia, à maneira de Madame Bovary e da queirosiana Luísa, é adúltera, por se sentir só diante das constantes viagens do marido Comandante. Cláudia, apesar de aparentar ser liberal, "duma emancipação de maneira e de pontos de vista que, dentro de certa escala de critério mais divulgado e aceite, poderiam ser considerados como deveras shocking" (260), é revoltada por ter sido abandonada pelo marido e por isso quer se vingar de todos os homens que dela se aproximem. Cristina é rica, tem tudo de material que o dinheiro possa comprar; no entanto, é infeliz por ser rotulada de solteirona.
extracto de Regina Helena Machado Aquino Corrêa, UNIOESTE - Campus de Toledo

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