MAR E A LUZ: aguarelas de Turner na colecção da Tate

Dias, João Carvalho (trad.) 
- O MAR E  A LUZ: 
aguarelas de Turner na colecção da Tate
Lisboa: Museu Calouste Gulbenkian, 2003.
158 p. : il. ; 28 cm - Brochado.
SINOPSE
Exposição itinerante do artista britânico Joseph Mallord William Turner (1775-1851), organizada em conjunto pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela Tate Britain, em Londres.
Tendo sido alvo de uma renovação na época, a Galeria de Exposições Temporárias do Museu Calouste Gulbenkian apresentou um conjunto de 73 obras do artista (64 aguarelas, seis gravuras e três óleos), 70 das quais pertença da Tate Britain, em Londres, legadas pelo próprio pintor ao seu país natal. Dedicada ao tema do mar – que é objeto de cerca de um terço dos óleos de Turner –, a mostra pretendeu, «por um lado, compreender a metodologia de composição do pintor em fases distintas de registo; por outro, tomar contacto com a liberdade de expressão que a aguarela, pelo seu carácter espontâneo, permite deixar transparecer» (Comunicado de imprensa, 12 fev. 2003, Arquivos Gulbenkian, MCG 03548).
William Turner, pintor romântico especialmente conhecido pelas suas pinturas a óleo, encontrou na aguarela a «liberdade» e o «prazer» para «imortalizar paisagens, numa verdadeira recriação das proporções e das formas» (O Mar e a Luz. Aguarelas de Turner na Colecção da Tate, 2003, p. 7). Mais do que a simples geografia de um local, o artista elaborava uma leitura do mar através da sua imaginação, dos seus sentimentos e da «luz, esse elemento primordial do olhar e do seu registo» (Ibid., p. 8).
A exposição surgiu na conclusão de um longo processo iniciado no ano 2000, data em que a Fundação Calouste Gulbenkian solicitaria à Tate Britain a apresentação de um conjunto de aguarelas nas suas galerias. A ideia que deu origem a esta exposição, de acordo com o diretor do Museu Calouste Gulbenkian, João Castel-Branco Pereira, surgiu no seguimento de outra exposição apresentada em Londres, Paris e La Havre, denominada «Turner e o Sena», na qual foi incluída uma única pintura a óleo pertencente à Coleção Calouste Gulbenkian.
Anteriormente, haviam sido organizadas pela Tate Britain duas outras exposições de menores dimensões: a primeira em 1980, e a segunda em 1982 – esta concebida a partir de uma seleção feita por Evelyn Joll, especialista na obra do artista britânico (O Mar e a Luz. Aguarelas de Turner na Colecção da Tate, 2003).
Concebida e comissariada por Ian Warrell, conservador do Departamento de Aguarelas e curador de Arte Britânica dos Séculos XVIII e XIX na Tate, a mostra pretendeu evidenciar a relação de Turner com o mar, a evolução estilística da sua obra e as diferentes fases do seu processo criativo. Antes de se ter dedicado à pintura a óleo, «Turner foi aguarelista, técnica que desenvolveu até ao final da sua vida», conforme referiu Manuela Fidalgo, conservadora do Núcleo de Desenhos do Museu Calouste Gulbenkian (Salema, Público, 20 fev. 2003).
Uma vez que a Coleção Gulbenkian possui no seu acervo um pequeno conjunto de aguarelas do pintor, optou-se por integrar na exposição duas obras do Museu Calouste Gulbenkian: uma aguarela sobre papel, Plymouth com Arco-íris (c. 1825), e o óleo Quillebeuf, Foz do Sena (1833). Ao serem expostas com outras criações de Turner, as referidas obras, levaram «o público a reflectir sobre questões da cultura artística, as enunciadas por um dos mestres da pintura ocidental do século XIX, que abriu os caminhos da paisagem moderna e apontou algumas das pesquisas artísticas centrais do século XX, tendentes para os valores absolutos da luz e do espaço» (O Mar e a Luz. Aguarelas de Turner na Colecção da Tate, 2003, p. 9).
O projeto museográfico e a montagem da exposição – que ficaram a cargo de Mariano Piçarra, designer do Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão – foram bastante elogiados, por terem conseguido criar uma atmosfera «intimista», adequada ao registo sentimental de Turner. A exposição dividiu-se em 17 núcleos cronológicos, que proporcionaram «um olhar criativo sobre o processo criativo de Turner» («A fúria do mar tornada beleza», Correio da Manhã, 20 fev. 2003).

A exposição foi complementada com a realização de uma conferência, proferida pelo vice-presidente da Turner Society de Londres, Eric Shanes, que abordou o percurso de Turner como «pintor de temas marítimos» e deu destaque aos «esboços e estudos a aguarela que o artista realizou como ponto de partida para os seus trabalhos finais» (Comunicado de imprensa, 18 mar. 2003, Arquivos Gulbenkian, MCG 03548).
Com o objetivo de atrair a atenção de uma faixa etária mais jovem, foram realizadas duas oficinas que abordaram os aspetos temáticos, formais e estilísticos da exposição numa perspetiva mais didática e pedagógica. Estas oficinas foram orientadas por Elisa Marques, professora da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, e José Fernando, professor de Educação Visual e Tecnológica do ensino básico.
O público teve ainda a oportunidade de assistir a um concerto – realizado no âmbito do Dia Internacional dos Museus –, concebido pelo pianista João Paulo Santos. Tratou-se de uma composição que, partindo dos quadros e do tema da exposição, sugeria dois percursos, que iam «da calma das águas à noite de luar, e da neblina outonal à luminosidade do crepúsculo» (Comunicado de imprensa, 7 mai. 2003, Arquivos Gulbenkian, MCG 03548).
O catálogo subjacente à exposição apresenta-se como um «estímulo» a novos estudos sobre a temática marítima na obra de Turner, evidenciada nos seus «exercícios de adolescência como nas pinturas e aguarelas que produziu já no fim da sua vida» (O Mar e a Luz. Aguarelas de Turner na Colecção da Tate, 2003, p. 10). A publicação conta com três textos de apresentação: o primeiro, do presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Emílio Rui Vilar; o segundo, de João Castel-Branco Pereira, diretor do Museu Calouste Gulbenkian; e ainda uma breve apresentação da autoria do diretor da Tate Britain de Londres, Nicholas Serota.
Além destes, apresenta também um texto da autoria do comissário da exposição, Ian Warrell, em que se aborda o percurso artístico de Turner e a razão pela qual este é facilmente identificado como um «um homem do mar», fazendo referência ao caráter pouco convencional da sua pintura, que chegou a ser comparada a «ovos com espinafres», julgamento deveras absurdo e seguramente produto da incompreensão de muitos dos que tentaram denegrir o estilo do artista (Ibid., p. 15).
De caráter itinerante, a exposição foi apresentada, num primeiro momento, no Baltimore Museum of Art, entre 17 de fevereiro e 26 de maio de 2002, e posteriormente em Madrid, na Fundación Juan March, entre 20 de setembro do mesmo ano e 19 de janeiro de 2003. O Museu Calouste Gulbenkian foi a terceira e última instituição a receber a mostra, que até meados de maio já tinha sido vista por mais de 51 mil visitantes.
A exposição em Lisboa teve um êxito inigualável, registando um total de 63 358 visitantes e atingindo uma média de 854 visitas diárias. De acordo com João Castel-Branco Pereira, este sucesso foi conseguido graças à «vontade espontânea do público de reencontrar a obra do mais representativo pintor inglês da primeira metade de Oitocentos […], e para os mais novos, a expectativa de o descobrir» (Comunicado de imprensa, 23 mai. 2003, Arquivos Gulbenkian, MCG 03547).
O êxito de «O Mar e a Luz. Aguarelas de Turner na Colecção da Tate» fez-se igualmente sentir na necessidade de reeditar o catálogo, uma vez que os 1500 exemplares da primeira tiragem se esgotaram rapidamente (Ibid.).
A inauguração em Lisboa contou com a presença de várias personalidades ligadas à cultura e à política, entre elas a embaixadora do Reino Unido em Portugal, Glynne Evans, o curador-chefe da Tate Britain, David Brown, e o presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Emílio Rui Vilar.
Joana Atalaia, 2018
Exemplar novo.
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